terça-feira, 23 de junho de 2020

O dia do SOL- Viva o S. João!

Olha o São Joãoeeee!
...pois é!

Cá por casa pomos a mão no manjerico; a mão, o nariz não!...que morre o manjerico e lá se vai a proteção divina! 










Este ano a amaldiçoada pandemia tirou-nos a grande festa com origem medieval, ou melhor, provavelmente anterior, pois sabemos que a Igreja Católica a cristianizou, atribuindo-lhe o São João para padroeiro...

Esta noite, antes do Cristianismo, festejava-se o Solstício de Verão...aquele que marca o apogeu do percurso solar...no dia 24 de junho o Sol está no ponto mais alto...

...e no meio de tudo isto como surgem os martelos de S. João?...

No Porto o "S. João" está documentado desde a Idade Média, festa cristã onde perduraram os elementos pagãos, como o alho porro e a erva cidreira, para muitos associados a símbolos sexuais, à fertilidade, à vida! O alho porro lá anda entre multidões, mas  a partir da segunda metade do século XX, com o enraizamento do plástico na produção industrial, surgiram os martelos... há quem diga que têm o mesmo desenho fálico do alho porro...

O apito no martelo é posterior, mas está de tal forma vulgarizado que corremos o risco de perder as pancadinhas nas cabeças vizinhas para nos limitarmos a fazer barulho...

Os martelos de S. João são objetos "vulgares", sobre os quais pensamos pouco...mas alimentaram muitas famílias, particularmente aquelas que nos subúrbios do Porto já abasteciam os mercados de brinquedos.
Numa conversa com o Sr. António Carneiro, já falecido, falou-nos de quanto trabalhavam no S. João e de quanto carros de bois carregavam para a cidade...saiam de Ermesinde bem cedo para os transportes renderem.
Hoje, são poucos os que produzem em Portugal, ou melhor... pelo concelho de Valongo, em particular na cidade de Alfena, ainda existe produção de martelos... procurem a BRUPLAST... este ano os martelos não terão enchido a fábrica e talvez por isso tenham tempo para vos brindar com um mimo... é que o saber construir brinquedos ainda lá mora, por isso partilho uma atividade a fazer em família e com todas as cautelas que a época exige!

Para o ano lá estaremos, entre o martelo e o assobio, o alho porro e o fogo na ponte D. Luís.... 
Ai S. João!...manda lá a proteção do Sol para fecharmos este ciclo conturbado...


quinta-feira, 11 de junho de 2020

Livros...

Livros sobre Brinquedo e a sua história ainda são muito poucos em Portugal, ou traduzidos para português. Menos do que desejaríamos…um dia prometo que publico uma lista de bibliografia para aqueles que se interessam pelo tema, hoje só vou partilhar dois.

O primeiro em homenagem ao Carlos Anjos, falecido no fim do ano passado, e que faria anos neste mês de junho…foi com ele que aprendi as “primeiras letras” dos brinquedos e quem me incutiu o bichinho de querer saber mais! O Museu do Brinquedo Português, instalado em Ponte de Lima e tutelado pela Autarquia foi o projeto onde nos cruzámos e onde está uma das, senão a, melhor coleção de brinquedo português, ou pelo menos a que melhor representa a história do brinquedo durante o século XX! Teve esse mérito o Carlos Anjos e justiça tem de ser feita, se não tivesse constituído esta coleção hoje Portugal e o mundo dos brinquedos portugueses seria mais pobre!

O segundo livro é uma aventura minha, a convite do Município de Valongo e com muitas participações especiais dos produtorese apaixonados de brinquedos em Ermesinde e em Alfena!

Uma viagem pelos que produziram brinquedos desde os finais do século XIX e aqueles que ainda os produzem…Um ano por um dos primeiros e mais emblemático território de produtores de brinquedos tradicionais/industriais!...mas eu sou muito suspeita, por isso têm mesmo de o ler!


De Espinho a Caminha!



O primeiro vídeo é sobre a Fábrica Luso Celulóide, uma das primeiras empresas a utilizar matéria plástica em Portugal. Surgiu em Espinho no início da década de 30 do século XX. Em 1950 um dos irmãos viria a sair da sociedade e a montar a sua própria empresa - Hércules. A Luso mudou a designação para OSUL, nada mais que a palavra ao contrário. Estes brinquedos encheram a minha infância...mas não ficaram por aqui, na segunda metade do século produziram muitos carros à escala 1/43, com a marca Metosul, porque à OSUL "acrescentaram uma liga metálica" para esse fabrico.
Neste vídeo deixei ainda um desafio...atrevam-se a partilhar...vamos lá descobrir o que se fazia por Caminha! Até Breve!

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Brinquedos Populares Japoneses

As bonecas Kokesi, feitas com madeira, são conhecidas como brinquedo popular da região nordeste do Japão.
Apesar da sua simplicidade são obras de arte. Algumas são preparadas para terem o pescoço móvel, que ao mexer  fazem um som estranho. 
Enquanto símbolo onomatopaico são conhecidas como Kina-kina-ningyõ. As mais antigas não eram pintadas, embora as mais recentes tenham pinturas muito coloridas.
Para além da sua função de boneca "brinquedo" diz-se que serviram de oferendas pelas "esposas criança" para terem filhos.


domingo, 7 de junho de 2020

Assobios de barro

O barro é milenar enquanto matéria-prima! O Homem usou-o para produzir múltiplos objetos, necessários ao seu quotidiano… outros menos “necessários” aos adultos, aqueles de cariz infantil encontrados em intervenções arqueológicas que nos fazem questionar como se interpretou a infância ao longo dos tempos.

“Curiosamente, sem sairmos da Península Ibérica encontramos brinquedos de barro em diversos contextos arqueológicos. Num deles, resultado de uma intervenção no Largo do Chafariz de Dentro em Lisboa, atesta-se a produção de bonecos e apitos, com «representações coroplásticas de equídeos, estando também atestados um cão e um antropomorfo, elaborados em barro vermelho com revestimento plumbífero a verde»”. (SILVA et alli…..)

Os investigadores apontam para uma cronologia do século XVI, nós vamos dar um salto até ao início do século XX, quando o etnógrafo Rocha Peixoto se referia à produção de brinquedos de barro; “para ellas (crianças) fabricam ainda os oleiros todos os typos de vasilhame em miniatura, (…) mealheiros, castiçaes, armadilhas para toupeiras, flautas, assobios de agoa, espécies de ocarinas imitando o cuco, cornetas, enfim. A fabricação com destinos infantis, é, de resto, bem antiga…”[1].

As figuras de barro produzidas em Barcelos, de resto de onde surge o famoso Galo, foram inicialmente concebidas com fins diversos. Dizia Rocha Peixoto que, independentemente da sua dimensão, tinham quase todas dois acessórios “um assobio e orifícios para palitos”, tendo assim dupla função, uma para adultos, outra para crianças.

Muitos destes assobios ancestrais podem ser vistos no Museu de Olaria, aqui em Barcelos…e procurem porque vão ver os fantásticos orifícios para palitos, em muitos deles…

Dizia-se que as mulheres dos oleiros, a quem cabia as tarefas mais árduas, ajudavam ao serão a terminar algumas peças, pelo meio construíam figurinhas para os filhos…e assim terá começado o figurado barcelense, hoje com outra dimensão, na esfera da arte popular e não na dos brinquedos outrora vendidos na feira e que serviam para chilrear durante o caminho…até se partirem por um descuido e ter caído ao chão… e na feira ou romaria seguinte, lá viria outro rouxinol ou uma ocarina!

 



[1] ROCHA PEIXOTO, António Augusto da- As Olarias de Prado, 2º ed., Cadernos de Etnografia 7, Museu Regional de Cerâmica, Barcelos, 1966, pp. 45 e 46.


SUBIOTE

A escolha do nome deste blogue, confesso que não foi fácil, porque não a queria tornar óbvia, mas gostaria que estivesse associada a Barcelos. Bem, Subiote não é nome conhecido por estas terras, antes pelas transmontanas, mas quer dizer Assobio, sendo assim transversal a todos os territórios.

Justiça seja feita pois só aprendi o que queria dizer quando li uma das obras mais importantes sobre brinquedos em Portugal, escrita pelo amigo Professor João Amado, a quem todos devemos muito pela dedicação e pesquisa que tem feito e continua, felizmente, a fazer sobre brinquedos populares.

A descrição de Subiote retirei-a da obra do Professor João Amado, Universo dos Brinquedos Populares e nela há muito a aprender. Escreveu-nos que a  “designação é transmontana (Vimioso) mas o mesmo brinquedo é conhecido, também, por assobio (Coimbra), zorra (Guarda), reixenol (Beira Baixa).

É feito de um rebento liso e tenro de figueira (sabugueiro, castanheiro ou freixo) a que cuidadosamente se separa a casca, de modo a ficar inteira e em forma de canudo. Para obter a separação da casca batem-se ligeiras pancadas sobre ela e fricciona-se com o cabo do canivete. Mantém-se a parte lanhosa do rebento no interior deste canudo em forma de cilindro aberto, formando um conjunto que funciona como um êmbolo; soprando com o lábio inferior sobre a abertura do cilindro provoca-se um assobio mais ou menos grave, consoante o lenho sobe ou desce no interior do canudo de casca.”

Em Barcelos os assobios a que me referia não eram de pau, mas sim de barro. Sobre eles vou escrever em breve!




segunda-feira, 1 de junho de 2020

TODOS OS DIAS SÃO DIAS DA CRIANÇA!

 

Hoje é Dia Mundial da Criança… na realidade são todos os dias, por isso deixo-vos os contatos de alguns espaços museológicos dedicados a brinquedos e brincadeiras!

Muita atenção, porque alguns só trabalham por marcação, por isso certifiquem-se que quando os forem visitar sabem como lá chegar e se está alguém para vos receber. Outros têm horários adaptados durante este período em que vivemos!

 

Fica a dica, vão rever os vossos brinquedos, os dos vossos avós e descobrir um mundo mágico, ainda a explorar, em qualquer altura do ano!

 

Para além destes, fiquem atentos pois está a nascer, em Alfena, no concelho de Valongo, a Oficina do Brinquedo Português…um dia destes vamos saber mais sobre este projeto. Agora corram de norte para sul, apanhem um avião ou um barco e sigam para o Funchal!

Boa brincadeira!

 

 

 


Museu do Brinquedo Português

Ponte de Lima

 

Telefone: (+351) 258 240 210
E-mail: mbp.geral@museuspontedelima.com
Endereço Web: www.museuspontedelima.com

Morada: Casa do Arnado - Largo da Alegria, Arcozelo, 4990-154 Ponte de Lima

 

 


Casa do Brinquedo e da Brincadeira

Vila Verde

 

Telefone: (+351) 916 059 132
E-mail: adol@adol.pt
Endereço Web: www.adol.pt

Morada: Rua Padre Avelino Alves, nº 205, 4730 Vila Verde e Barbudo, Braga

 

 

 

Museu do Brinquedo de Seia

Seia

 

Telefone: (+351) 238 082 015

E-mail: museudobrinquedo@cm-seia.pt/ museu.brinquedo@cm-seia.pt
Endereço Web: www.cm-seia.pt

Morada: Largo de Santa Rita, 6270-492 Seia

 

 


Museu do Brincar

Vagos

 

Telefone: (+351) 234 796 151 | (+351) 964 695 304

E-mail: geral@museudobrincar.com

Endereço Web: www.museudobrincar.com

Morada: Palacete Visconde de Valdemouro, Largo Branco de Melo, 3840-383 Vagos

 



Escola do Brinquedo Tradicional Popular

Associação Desportiva e Recreativa do Loureiro

 

E-mail: adrl.brinquedos@gmail.com/ adr.loureiro@sapo.pt

Endereço Web: www.escoladobrinquedo.simplesite.com

Morada: Caminho Barreira, Loureiro, 3040-787 Cernache, Coimbra

 

 


Atelier dos Brinquedos

Torres Vedras

 

Telefone: (+351) 261 148 612

E-mail: galeria@cm-tvedras.pt
Endereço Web: 
http://www.cm-tvedras.pt/cultura/atelier-dos-brinquedos/

 

Morada: Parque do Choupal, Torres Vedras

 


Museu do Brinquedo

Funchal

 

Telefone: (+351) 291 640 640
E-mail: museu@armazemdomercado.com
Endereço Web: 
http://www.visitfunchal.pt/pt/cultura-e-patrim%C3%B3nio/museus/item/119-museu-do-brinquedo.html



Morada: Rua Hospital Velho, 28, 9060-129 Funchal (Madeira)

 

 


O dia do SOL- Viva o S. João!

Olha o São Joãoeeee! ...pois é! Cá por casa pomos a mão no manjerico; a mão, o nariz não!...que morre o manjerico e lá se vai a proteção div...